O que motiva a diarreia, causas, sintomas e tratamento da diarreia, identificando formas de a diagnosticar e classificar.


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Causas da diarreia Aguda

As causas que originam a diarreia aguda, são as seguintes:
  • Infecções
  • Bacterianas
  • Parasitas
  • Vírus
  • Fungos
  • Alimentos Contaminados
  • Medicações
  • Ingestão recente de açúcares não absorvíveis
  • Impactação Fecal
  • Inflamação Pélvica
Uma frequência de evacuação normal varia de três vezes por dia a três vezes por semana, na população normal. Aumento de evacuações, com a consistência das fezes menos sólidas do que o normal, constitui uma satisfatória mas imprecisa definição de diarreia. A diarreia aguda é definida como três ou mais evacuações por dia, e tem a duração de menos de 14 dias. Se a doença persistir por mais de 14 dias, ela é chamada de diarreia persistente. Se a duração dos sintomas for superior a 1 mês, considera-se diarreia crônica. A maioria dos casos de diarreia aguda é auto-limitada, sendo causadas por agentes infecciosos (por exemplo, vírus, bactérias, parasitas), e não necessitam de medicação, a menos que o paciente seja imunocomprometido.


Diarreia e o exame fisico ao paciente

O exame físico deve ser completo, para se conhecer a repercussão da diarreia, e pode sugerir o diagnóstico. O mais importante, no exame físico, é caracterizar a desidratação e a desnutrição, se estiverem presentes. Outros dados importantes são eritemas, úlceras na boca, nódulos na tireóide, sibilos na ausculta pulmonar, artrite, ruídos cardíacos, hepatomegalia, massa abdominal, ascite, edemas e o exame anorretal.
Nas informações a serem obtidas do paciente com diarreia, não podem ser esquecidas aquelas referentes à duração, o que define se é aguda ou crônica, o seu padrão, que orienta quanto à localização da causa, o comprometimento sistêmico associado à diarreia, a presença de sangue nas fezes, que pode vir misturado com as mesmas, vir após a evacuação ou mesmo haver evacuação unicamente de sangue, a existência de esteatorréia, restos alimentares nas fezes, o hábito intestinal noturno e sintomas de comprometimento de outros órgãos, como dor articular e lesões cutâneas.
O exame físico deve ser aquele realizado na observação clínica, e atenção e o cuidado são indispensáveis. Merecem destaque os sinais de desidratação, má-absorção, doenças inflamatórias e outras, como esclerodermia, diabetes e hipertireoidismo.


Diarreia e medicamentos

Para além do exame fisico do paciente, o médico irá ainda avaliar os medicamentos que tem estado a tomar. O seu médico pode perguntar sobre quaisquer medicamentos que está a tomar, incluindo os medicamentos que não necessitam de receita médica.. Além disso, informe o seu médico sobre quaisquer suplementos que você toma.
Pode ainda promover-se um teste sanguineo. Um teste de hemograma completo pode ajudar a determinar o que está causando a sua diarreia.
Pode ainda tornar-se útil recorrer a um exame de fezes. O seu médico pode recomendar um exame de fezes para determinar se uma bactéria ou parasita está causando a sua diarreia.


Historial do paciente com diarreia

Os sintomas da dermatite, podem distinguir-se entre a fase aguda e a fase crónica.
A diarreia é subjectiva, e pode ser definida como um aumento no volume, frequência de fezes ou de fluidez em relação ao normal para o paciente. Disenteria é diarreia com a presença de sangue, muco e proteína nas fezes, e muitas vezes está associada com sinais e sintomas de doença sistémica, por exemplo, febre, perda de peso, anorexia, dor abdominal e desidratação.

A diarreia aguda podem ser classificados em osmótica, secretora, inflamatória e dismotilidade. Com diarreia osmótica, o jejum geralmente resulta em resolução da diarreia, mas com a diarreia secretora o jejum provavelmente não fará diferença.

Conhecer a história clínica do paciente

Na história do paciente com diarreia, alguns itens devem ser esclarecidos:
  1. As características do início da diarreia. Ela pode ser congênita, ter início abrupto ou gradual.
  2. O padrão de diarreia, contínua ou intermitente.
  3. Duração do sintoma.
  4. Fatores epidemiológicos, como viagens antes do início da diarreia, possível exposição a alimento ou água contaminada e doenças em membros da família ou em pessoa da relação do paciente.
  5. Características das fezes: aquosas, sanguinolentas ou esteatorréia.
  6. Presença ou ausência de incontinência fecal.
  7. Presença ou ausência de dor abdominal e sua característica. Dor abdominal está freqüentemente presente na doença inflamatória, intestinal, síndrome do intestino irritável e isquemia mesentérica.
  8. Perda de peso, o que pode acontecer com qualquer doença que provoque diarreia, uma vez que o paciente, geralmente, diminui a ingestão com a intenção de reduzir o sintoma. Entretanto, perda de peso acentuada pode indicar má-absorção, neoplasia ou isquemia.
  9. Fatores agravantes, como alimentação ou estresse.
  10. Fatores de melhora, como alterações na alimentação ou remédios.
  11. Resultados de exames já realizados.
  12. Fatores iatrogênicos. História pregressa de ingestão de medicações, radioterapia e operações deve ser esclarecida.
  13. Diarreia factícia, provocada pela ingestão de laxantes, deve ser considerada em todo paciente com o sintoma. Ela está, geralmente, associada a desordens na alimentação, ganhos secundários ou antecedentes de simulação de doença.
  14. Presença de doença sistêmica, como hipertireoidismo, diabetes melito, doenças do colágeno, doenças inflamatórias, neoplasias ou síndrome da imunodeficiência adquirida.

Diarreia

Diarreia significa mudança no hábito intestinal do indivíduo, que implica em aumento do peso das fezes, da quantidade da parte liquida e da freqüência de evacuações. Geralmente, mais de uma dessas características estão presentes.
A diarreia ocorre quando há excesso de fluido nas fezes, por anormalidades na secreção ou na absorção,


Classificação da diarreia

A diarreia é classificada como mostramos a seguir:
  1. Diarreia osmótica - Ocorre quando há grande quantidade de moléculas hidrossolúveis no lúmen intestinal, levando à retenção osmótica de água. Tem como causa mais freqüente o uso de laxativos e a má-absorção intestinal de carboidratos.
  2. Diarréia secretória - A mucosa intestinal tem a capacidade de secretar fluidos isotônicos. Dentre os estímulos que provocam aumento da secreção estão vírus, enterotoxinas bacterianas, como Vibrio cholerae e Escherichia coli, neopolasias que produzem hormônios gastrointestinais (VIP), síndrome de Zollinger-Ellinson, ácidos graxos, de cadeia longa (esteatorréia), ácidos biliares (ressecção ileal) e catárticos, derivados da antraquinona.
  3. Diarreia exsudativa - Exsudação de proteínas do soro, sangue, muco ou pus, a partir de áreas inflamadas, de doenças ulcerativas ou infiltrativas, aumenta o volume fecal e causa diarreia. Nesse grupo, estão incluídas as doenças inflamatórias intestinais, neoplasias intestinais, a colite induzida por antibióticos e a parasitose (giardíase).
  4. Diarreia motora - Para que haja absorção o conteúdo intestinal deve estar exposto a uma superfície absorvente adequada, por suficiente período de tempo. Também há necessidade de que esteja preparado para a absorção, ou seja, a digestão deve estar completada. Os mecanismos envolvidos na diarreia motora são o trânsito acelerado, causando inadequada mistura do alimento com as enzimas digestivas, e o pouco contato com a superfície absortiva, por resseção intestinal ou fístulas enteroentéricas.
É frequente a existência de mais de um mecanismo envolvido no desencadeamento da diarreia. É o caso da síndrome de má-absorção e, aí,onde a caracterização da presença de esteatorreia é fundamental para o diagnóstico.
Para que possa ser diagnosticada a causa da diarreia, e solicitar corretamente possíveis exames complementares, é necessário que algumas informações sejam obtidas do paciente, como a duração do sintoma, a associação com outras manifestações, a idade e o sexo. O padrão da diarreia sugere a sua origem, podendo ser “alta”, causada por doença em intestino delgado, ou “baixa”, causada por doença no intestino grosso. Na diarreia de origem “alta”, o volume evacuado em cada ocasião é grande, a freqüência é pequena, cessa com o jejum, tem restos alimentares digeríveis nas fezes, pode haver esteatorreia (gordura nas fezes) e distensão abdominal. Na diarreia de origem “baixa”, o volume é pequeno, a freqüência é alta, diminui mas não cessa com o jejum, ocorre tenesmo, podendo haver eliminação de muco e desinteria. Não é raro que características de diarreia “alta” e “baixa” estejam presentes no mesmo paciente.
A diarreia pode ser manifestação de doença funcional, situação em que não é acompanhada de comprometimento sistêmico ou doença orgânica. São evidências de que a diarreia tem causa orgânica a ocorrência durante a noite, a presença de sangue nas fezes, hipotrofia muscular, esteatorreia, a queixa de dor abdominal, emagrecimento, febre, adenomegalia, massas palpáveis no abdômen, sintomas carenciais, anemia e redução do subcutâneo.



Diarreia persistente

O termo diarreia persistente foi estabelecido em 1987 pela Organização Mundial da Saúde e definido como a diarreia que surge como consequência de um processo agudo, geralmente de causa infecciosa e tem duração superior a 14 dias.
Foi inicialmente referida por Avery, em 1968, dentro da síndrome denominada de “diarreia intratável”, posteriormente denominada também diarreia prolongada ou pós-enterite.
É causa de importante agravo no estado nutricional das crianças. Além disto, é responsável por cerca de 45% dos óbitos por diarreia e surge como complicação das diarreias agudas em proporções variáveis de 3 a 25%. Esta variabilidade ocorre, principalmente, em função dos fatores de risco para o desenvolvimento da diarreia persistente.
Estes fatores são:
  • Idade: sabe-se que a diarreia persistente predomina no lactente e é tão mais frequente quanto mais nova for a criança. È rara após os dois anos de idade.
  • Estado nutricional: esta síndrome diarreica incide muito mais frequentemente em crianças desnutridas. A imunidade celular comprometida e deficiência de fatores de proteção no tubo intestinal, além da existência de lesões gastrintestinais prévias e dificuldade na regeneração da mucosa são os responsáveis pela não limitação de um processo diarreico agudo nas crianças desnutridas.
  • Alimentação prévia: criança com aleitamento materno excepcionalmente desenvolverá diarreia persistente. Além disto, os estudos têm demonstrado que a amamentação exclusiva durante pelo menos três meses de vida protege permanentemente a criança desta diarreia.
  • Diarreias prévias: crianças que têm diarreias agudas infecciosas repetidas são mais predispostas a desenvolver a forma persistente. Este fator está muito associado ao ambiente de promiscuidade e condições de higiene e saneamento deficientes, comuns nas nossas populações de nível sócio-econômico baixo. Diarreias frequentes agravam comprometimento do estado nutricional e dificultam a regeneração do epitélio lesado.
  • Peso de nascimento baixo: este achado também traduz carência nutricional desde o período gestacional, presente também em populações de baixa renda.
  • Manuseio inadequado da diarreia aguda: o uso inadequado de antibióticos pode interferir na flora bacteriana e diminuir um dos mecanismos de defesa contra o patógeno; por outro lado, o uso de inibidores de peristaltismo pode agir sobre o mecanismo de “varredura” destes agentes, predispondo à maior permanência do patógeno no tubo gastrintestinal; o jejum prolongado agrava o estado nutricional das crianças, dificultando a cura do processo.
  • Etiologia do processo agudo: embora vários agentes de diarreia aguda sejam citados como causas mais comuns de prolongamento de diarreia (rotavirus, salmonela, yersínia), o único que comprovadamente se destaca é a E. coli enteroaderente.
  • Outros: imunodeficiência (primária ou secundária), doenças prévias (sarampo, por exemplo), escolaridade materna, deficiência de micronutrientes e de vitaminas (principalmente a vitamina A e o zinco).

Desidratação e diarreia em crianças

A desidratação é a complicação mais frequente e preocupante da gastroenterite aguda e é mais grave quando a criança é mais pequena. Pode instalar-se com rapidez, quando através da diarreia, vómitos e febre o organismo está a perder muita água e sais minerais. Há 2 tipos de desidratação, consoante se perde mais água que sais, ou mais sais que água.
Para os pais independentemente do tipo de desidratação em causa, é importante estarem alerta para sinais que os devem fazer pensar que ela existe. Eles são a perda aguda e importante de peso, urina menos abundante ou mais escura, língua seca, ausência de lágrimas, irritabilidade, prostração, sede intensa e avidez pela água, olhos encovados e nos mais pequenos abaixamento da fontanela (“moleirinha”).



Diarreia, prevenção e tratamento de desidratação

As partes mais importantes do tratamento da diarreia são: 
- Evitar que a desidratação ocorra, se possível,
- Tratar a desidratação rapidamente, se ocorrer,
- Dar suplementos de zinco por 10/14 dias, dependendo da disponibilidade de suprimentos e política nacional, para reduzir a gravidade do episódio e para reduzir a incidência de episódios de diarreia nos 2 a 3 meses seguintes; 
- Alimentar a criança.

A prevenção da desidratação 
Em casa, a desidratação pode geralmente ser evitada através da ingestão de mais líquidos logo que a diarreia seja iniciada. Para isso, deve dar os líquidos caseiros recomendados ou dar fluidos à base de alimentos disponíveis, como o mingau, sopa ou arroz-água. Também deve aumentar a frequência das mamadas, ou dar leite preparado com o dobro da quantidade normal de água. Os tipos de fluido ou soluções utilizadas na sua área, que podem prevenir a desidratação em casa dependerá de:
- Tradições locais para o tratamento de diarreia,
- Disponibilidade de uma solução baseada em alimentos adequados,
- Disponibilidade de sal e açúcar,
- Acesso das pessoas aos serviços de saúde,
- Disponibilidade de sais de reidratação oral.

Tratamento de desidratação 
Se ocorrer desidratação, a criança deve ser levada a um agente comunitário de saúde ou centro de saúde, para tratamento. O melhor tratamento para a desidratação é a terapia oral com uma solução feita com SRO.
Para o tratamento da desidratação, SRO deve sempre ser usado, se possível. 

Diarreia na criança pode ser perigosa

Dois perigos principais de diarreia são a morte e a desnutrição.
A morte por diarreia aguda é mais frequentemente causada pela perda de uma grande quantidade de água e sal do corpo. Esta perda é chamada de desidratação. 
Disenteria é outra importante causa de morte relacionada à diarreia, e ocorre quando as fezes contêm sangue. 
Diarreia é pior em crianças com desnutrição. A diarreia pode causar desnutrição e pode torná-la pior, porque:
- Os nutrientes são perdidos através da diarreia, a partir do corpo;
- Uma criança com diarreia pode não ter fome; 
- As mães não podem alimentar as crianças, enquanto elas têm diarreia, ou só as podem alimentar alguns dias após a diarreia melhorar.

Para reduzir a desnutrição associada à diarreia, os alimentos devem ser dados a crianças com diarreia, logo que a desidratação seja corrigida.

O corpo consegue normalmente água e sais de que precisa (de entrada) através de bebidas e alimentos. Ele normalmente perde água e sais (de saída) através de fezes, urina e suor.
Quando o intestino é saudável, a água e os sais passam do intestino para o sangue. Quando existe a diarreia, o intestino não funciona normalmente. Menos água e sais passam para o sangue, e mais, passam do sangue para o intestino. Assim, maior quantidade de água e sais são passados através das fezes. 
Esta perda anormalmente superior de água e sais de corpo, resulta em desidratação. Isto ocorre quando a saída de água e de sais é maior do que a entrada. Quanto mais fezes de diarreia uma criança tem, mais água e sais ela perde. A desidratação pode também ser causada por uma série de vómitos, que muitas vezes acompanha a diarreia.
A desidratação ocorre mais rápidamente em lactentes e crianças jovens, em climas quentes, e quando existe febre.

Abordando a diarreia nas crianças

O número de fezes produzidas num dia varia de acordo com a dieta e a idade da criança. Na diarreia, as fezes contêm mais água do que o normal, sendo frequentemente chamadas de fezes moles ou líquidas. Elas também podem conter sangue, caso em que a diarreia é chamada de disenteria.
As mães geralmente sabem quando seus filhos têm diarreia. Quando a diarreia ocorre, elas podem dizer que as fezes têm um cheiro forte ou são produzidas ruidosamente, tendo um aspeto solto e aguado. Ao falar com as mães de diversos locais, muitas vezes encontram-se mais definições para diarreia. Em muitas sociedades, designa-se de diarreia quando ocorrem 3 ou mais fezes moles ou líquidas num dia.
A diarreia é muito comum em crianças, especialmente naquelas que têm entre 6 meses e 2 anos de idade, sendo também comum em bebês com menos de 6 meses de idade que estão bebendo leite ou fórmulas infantis de leite de vaca.
Passagem frequente de fezes normais não é diarreia.
Bebês que são amamentados têm frequentemente fezes que parecem macias; mas estas não são sinônimo de diarreia.

Diarreia aguda começa de repente e pode continuar por vários dias, sendo causada por uma infeção do intestino.
A diarreia persistente é a diarreia, que começa como diarreia aguda, mas tem a duração de 14 dias ou mais.

O zinco é um micronutriente importante para a saúde e desenvolvimento global da criança. O zinco é eliminado em maior quantidade durante a diarreia. Substituir o zinco perdido é importante para ajudar a criança a recuperar e a manter-se saudável nos próximos meses.

Diarreia aguda em crianças

A diarreia aguda com fezes líquidas, ocorre de modo comum em crianças, podendo surgir entre 1 a 2 vezes a cada ano, especialmente em crianças que frequentam infantários ou tem irmãos a frequentar infantários.
A diarreia aguda é uma doença auto-limitada, ou seja, cura-se de modo espontâneo, durando menos de 15 dias. Apenas, quando a diarreia permanece para além de um período de 15 dias é que já não poderemos defini-la como diarreia aguda.
As causas que motivam a diarreia são variadas, mas na maior parte dos casos é devida a uma infeção no intestino. Muito raramente pode ter como causa uma infecção não intestinal.
Depois da ocorrência do contágio, as bactérias e os vírus atuam a nível da mucosa no intestino, através de um ou mais, de três mecanismos possíveis, nomeadamente:
- Libertação de toxinas,
- Invasão;
- Destruição celular.

Independentemente do mecanismo que motiva a diarreia, teremos sempre aumento do número de evacuação e diminuição na consistência das fezes, motivando a eliminação de água e de sais minerais, podendo resultar em desidratação aguda ou má nutrição, se ocorrerem durante muito tempo ou com muita frequência. Muitas vezes surgem vómitos, podendo contribuir para uma desidratação aguda.
Depois de uma diarreia aguda, podem surgir algumas condições que contribuam para que esta se mantenha ao longo do tempo, principalmente se houver necessidade de recorrer a medicamentos, antibióticos ou demora na ingestão normal de alimentos.
Existem 2 tipos de diarreia infecciosa:
- Aquosa, onde existe perda acentuada de água através do intestino delgado, sem sangue e sem muco, com poucos sinais de doença, que são normalmente causados por vírus;
- Inflamatória, onde existe disenteria, devido a infeção do intestino grosso, motivando febre, dores abdominais, estado tóxico, fezes com sangue e muco, aumento do numero de evacuações em determinado período de tempo, fezes esverdeadas com mau cheiro e possíveis convulsões, provocadas por várias bactérias.

Vómitos são comuns em qualquer tipo de diarreia.
Durante a infância, a maior parte das diarreias infecciosas são virais, do tipo aquoso, e normalmente são causadas por Rotavírus ou adenovirus, tendo uma maior probabilidade de ocorrerem durante o inverno, afetando principalmente crianças com menos de 2 anos de idade.
Os antibióticos devem eliminar a ocorrência de bactérias nas fezes, principalmente nas Salmoneloses, pelo que não são recomendados em casos de diarreias agudas infecciosas que não sejam complicadas.

Recomendações para casos e surtos das doenças diarréicas

  • Lavar sempre as mãos antes e depois de: utilizar o banheiro, trocar fraldas, manipular/preparar alimentos, amamentar, tocar em animais;
  • Lavar e desinfetar as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos; proteger os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e outros animais (guardar os alimentos em recipientes fechados);
  • Tratar a água para beber (por fervura ou colocar duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, aguardar por 30 minutos antes de usar);
  • Guardar a água tratada em vasilhas limpas e de boca estreita para evitar a recontaminação;
  • Não utilizar água de riachos, rios, cacimbas ou poços contaminados;
  • Ensacar e manter a tampa do lixo sempre fechada,quando não houver coleta de lixo,este deve ser enterrado;
  • Usar sempre a privada, mas se isso não for possível, enterrar as fezes sempre longe dos cursos de água;
  • Manter aleitamento materno, o mesmo aumenta a resistência das crianças contra as diarréias; evitar desmame precoce.

Medidas de prevenção da doença diarréica aguda

As medidas de controle da doença diarrécia agudaconsistem em: melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores, higiene pessoal e alimentar. A educação em saúde, particularmente em áreas de elevada incidência de diarréia, é fundamental, orientando as medidas de higiene e de manipulação de água e alimentos. Locais de uso coletivo, tais como escolas, creches, hospitais, penitenciárias, que podem apresentar riscos maximizados quando as condições sanitárias não são adequadas, devem ser alvo de orientações e campanhas específicas. Considerando a importância das causas alimentares nas diarréias das crianças pequenas, é fundamental o incentivo a prorrogação do tempo de aleitamento materno, comprovadamente uma prática que confere elevada proteção a esse grupo populacional.

Diagnóstico clínico da doença diarréica aguda

Os primeiros passos para o diagnóstico é a realização de uma boa anamnese. Para isso, algumas informações são fundamentais: idade do paciente, duração do episódio atual de diarréia, características das fezes (aquosas ou sanguinolentas), freqüência e volume das dejeções, associação da diarréia a vômitos, dor abdominal, febre (sua duração), tenesmo (tentativa dolorosa de evacuar), câimbras. É importante também excluir as causas não infecciosas de diarréia aguda: uso recente de medicações (laxativos, antiácidos, antibióticos), ingestão de bebidas alcoólicas, excesso de bebidas lácteas.
A história epidemiológica e social, nesses casos, também ajuda na condução do diagnóstico, onde o paciente reside, condições sanitárias do local, história de viagem recente a lugares endêmicos ou não endêmicos. Além disso, é importante saber se o paciente é portador de uma doença que pode estar relacionada com o quadro ou pode interferir no manejo da diarréia (hipertensão arterial sistêmica, diabetes, doenças cardíacas, doenças hepáticas, doenças pulmonares crônicas, insuficiência renal, alergia alimentar, HIV positivo). O próximo passo é a realização de um cuidadoso exame físico (avaliar desidratação, examinar abdômen).

Doença Diarréica Aguda

A Doença Diarréica Aguda é uma síndrome causada por diferentes agentes etiológicos (bactérias, vírus e parasitos), cuja manifestação predominante é o aumento do número de evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência. Em alguns casos, há presença de muco e sangue. Podem ser acompanhada de náusea, vômito, febre e dor abdominal. No geral, é auto-limitada, com duração entre 2 a 14 dias. As formas variam desde leves até graves, com desidratação e distúrbios eletrolíticos, principalmente quando
associadas à desnutrição.
O modo de transmissão ocorre por via fecal-oral. Pode ser por transmissão direta – pessoa a pessoa (ex.: mãos contaminadas) e de animais para as pessoas, e transmissão indireta – ingestão de água e alimentos contaminados e contato com objetos contaminados (ex.: utensílios de cozinha, acessórios de banheiros, equipamentos hospitalares. Os manipuladores de alimentos e vetores, como as moscas, formigas e baratas, podem contaminar, principalmente, os alimentos e utensílios. Locais de uso coletivo, tais como escolas, creches, hospitais e penitenciárias apresentam maior risco de transmissão.
A doença diarréica aguda pode ser de origem infecciosa e não infecciosa. Para a saúde pública, a de maior importância é a infecciosa, devido a sua maior freqüência. As principais causas são:
  • Infecciosa: bactérias e suas toxinas, vírus, parasitos, toxinas naturais.
  • Não infecciosa: intolerância a lactose e glúten; ingestão de grandes quantidades de hexitóis (adoçantes); ingestão demasiada de alguns alimentos sais mal absorvido (ex.: laxantes e antiácidos), ácidos biliares (após ressecção ileal), gorduras não absorvidas, algumas drogas (ex.: catárticos antraquinônicos, óleo de rícino, prostaglandinas), hormônios peptídicos produzidos por tumores pancreáticos.
O período de incubação é específico para cada agente etiológico. A transmissibilidade é específica para cada agente etiológico. De modo geral, o quadro clínico é agudo, autolimitado e não confere imunidade duradoura.

Saiba quais as causas da diarreia, quais os sintomas da diarreia, como é feito o diagnóstico, e quais os tipos de diarreias que existem.

Tratamento, prevenção e complicações da diarreia

Tratamento da diarreia
Se tiver diarreia, beba muitos fluidos para evitar ficar desidratado. São preferidas a água, o sumo de frutas e as bebidas isotónicas, que substituem os minerais e os sais perdidos. As crianças com diarreia e vómitos devem continuar a beber pequenas e frequentes quantidades de água ou fluidos especiais de hidratação, disponíveis nas farmácias. O seu farmacêutico poderá aconselhar. Também é bom comer alimentos ricos em hidratos de carbono, como batatas, arroz e pão..
Se o seu filho tiver vontade de comer, dê-lhe sopa e alimentos ricos em hidratos de carbono. Os medicamentos anti-diarreicos normalmente não são necessários, mas podem ser tomados, se desejar. Contudo, não devem ser dados a crianças ou caso haja sangue nas fezes. Podem ser usados o paracetamol (na forma líquida para as crianças) e o ibuprofeno no caso de febre. Se um bebé tiver diarreia, pode ajudar dar-lhe temporariamente um leite de baixo teor de lactose ou sem lactose. Se estiver a amamentar, tente evitar consumir lacticínios, pois resíduos de lactose podem passar para o leite materno.

Prevenção da diarreia
Um bom nível de higiene e limpeza evitará que as infecções que causam diarreia se espalhem. Deve sempre lavar as mãos depois de ir à casa de banho, de tocar em animais, de fazer jardinagem e antes de tocar nos alimentos. Se tiver diarreia, deverá ter muito cuidado com a sua higiene e não deve partilhar toalhas. Se o seu emprego implicar trabalhar num ambiente de cuidados de saúde ou preparação de alimentos, deve falar com o seu empregador e esperar 48 horas até voltar ao trabalho.

Complicações da diarreia
Se achar que você ou o seu filho estão desidratados, deve ligar de imediato para o seu médico de família. São sinais de desidratação uma micção reduzida, boca e língua secas, falta de sensibilidades, olhos vidrados, sonolência e confusão. Também deve contactar o seu médico de família se vir sangue ou muco nas fezes, se vomitar por mais do que um dia, se apanhou a infecção no estrangeiro ou se a diarreia não passar dentro de três a quatro dias.

Saiba quais as causas da diarreia, quais os sintomas da diarreia, como é feito o diagnóstico, e quais os tipos de diarreias que existem.

Medicamentos em casos de diarreia

A indicação de antimicrobianos deve ocorrer só quando o benefício é inquestionável, pois a diarreia aguda, grande parte das vezes, tem curso autolimitado.
Bactérias – para as diarreias bacterianas podem ser utilizados alguns antimicrobianos, como eritromicina, azitromicina, sulfametazol+trimetopim, metronidazol.
Vírus – não há tratamento etiológico para doença diarreica causada por vírus, apenas tratamento de suporte, como correção da desidratação e do desequilíbrio eletrolítico e tratamento de outros sintomas apresentados, como náuseas e vômitos.
Parasitos – quando há identificação de parasitos, utilizam-se medicamentos como mebendazol, albendazol e, no caso de protozoários de G. lamblia ou E. hystolitica, é recomendado metronidazol.

Definições de caso e surto de doença diarreica


Caso de doença diarreica aguda

Paciente com diminuição da consistência das fezes e/ou mais de 3 evacuações de fezes amolecidas ou aquosas/dia, acompanhada ou não de vômitos, febre e dor abdominal, presença de muco e/ou sangue nas fezes, com duração de até 14 dias, com ou sem desidratação.

Caso novo de doença diarreica aguda

É considerado caso novo quando, após a normalização da função intestinal por um período de 48 horas, o paciente apresentar diarreia novamente.

Caso suspeito de Rotavírus

Criança menor de cinco anos, com diagnóstico de doença diarreica aguda, que tenha recebido soro de reidratação por meio endovenoso (Plano C de tratamento), que resida no estado de atendimento, independente do estado vacinal contra o rotavírus.

Caso suspeito de Rotavírus em situação de surto

Criança menor de cinco anos, com suspeita diagnóstica de doença diarreica aguda, que resida no estado de atendimento, independente do plano de tratamento utilizado e do estado vacinal contra o rotavírus.

Surto de Doença Diarreica Aguda

Aumento do número de casos de DDA acima do limite esperado para a população envolvida, naquele período específico.
A ocorrência de, no mínimo, dois casos com o mesmo quadro clínico após ingestão do mesmo alimento ou água da mesma origem caracteriza-se como surto de doença transmitida por alimento.

Para doenças de transmissão hídrica e alimentar consideradas raras para a população envolvida, a ocorrência de apenas um caso já é considerado como surto.

Tratamento em pacientes com diarreia e desidratação grave

O uso de sonda nasogástrica (SNG) é indicado apenas em casos de perda de peso após as 2 primeiras horas de tratamento oral, de vômitos persistentes, de distensão abdominal com ruídos hidroaéreos presentes ou de dificuldade de ingestão. Nesses casos, administrar 20 a 30ml/kg/hora de Solução de Reidratação Oral.
Só se indica hidratação parenteral (venosa) quando houver alteração da consciência, vômitos persistentes, mesmo com uso de sonda nasogástrica. A criança não ganha ou perde peso com a hidratação por SNG e na presença de íleo paralitico.
Se o paciente apresentar sinais e sintomas de desidratação grave, com ou sem choque (palidez acentuada, pulso radial filiforme ou ausente, hipotensão arterial, depressão do sensório), a sua reidratação deve ser iniciada imediatamente por via endovenosa, conforme o esquema a seguir.
  1. Adultos
    › Via venosa periférica – 2 veias de bom calibre (scalp 19): administrar volumes iguais de NaCl a 0,9% e Ringer Lactato de, aproximadamente, 10% do peso do paciente, em cerca de 2 horas. Se estiver faltando uma das soluções, usar apenas uma ou a solução polieletrolítica.
    › Reavaliar o paciente; se persistirem os sinais de choque, repetir a prescrição; caso contrário, iniciar balanço hídrico com as mesmas soluções.
    › Administrar concomitantemente a solução de SRO, em doses pequenas e frequentes, tão logo o paciente a aceite. Isso acelera a recuperação do paciente e reduz drasticamente o risco de complicações pelo manejo inadequado.
    › Suspender a hidratação endovenosa quando o paciente estiver hidratado, com boa tolerância ao SRO e sem vômitos.
  2. Crianças
    › Até que se instale a reidratação endovenosa, deve-se administrar a solução de SRO por meio de sonda nasogástrica ou conta-gotas.

Tratamento em pacientes com diarreia e com sinais de desidratação

Todos os pacientes desidratados, mas com capacidade de ingerir líquido, devem ser tratados com solução de de Reidratação Oral. Não é necessário determinar o volume exato a ser administrado, mas recomenda-se que seja contínuo, conforme a sede do paciente, até a completa recuperação do estado de hidratação. Para crianças, a orientação é de 100ml/kg, administrados em um período não superior a 4 horas. Os lactentes amamentados devem continuar recebendo o leite materno. Para os demais pacientes, administrar apenas Soluções de Reidratação Oral até se completar a reidratação.
Se o paciente vomitar, pode-se reduzir o volume e aumentar a frequência das tomadas. Os vômitos geralmente cessam após 2 a 3 horas do início da reidratação.
A febre causada pela desidratação geralmente cede na medida em que o paciente se reidrata.
O paciente com desidratação deverá permanecer na unidade de saúde até a reidratação completa e retornar ao serviço para reavaliação, após 24 a 48 horas ou imediatamente, em caso de piora. Deve-se observar se a ingestão é superior às perdas.
Os sinais clínicos de desidratação vão desaparecendo paulatinamente, durante o período de reidratação. Todavia, devido à possibilidade de ocorrer rapidamente maior perda de volume, os pacientes devem ser avaliados com frequência, para se identificar, oportunamente, necessidades eventuais de volumes adicionais de solução de Reidratação Oral.

Tratamento em pacientes com diarreia e sem sinais de desidratação

O tratamento é domiciliar, com a utilização de: solução de sais de reidratação oral (Soluções de Reidratação Oral); líquidos disponíveis no domicílio (chás, cozimento de farinha de arroz, água de coco, soro caseiro, etc.).
Tais líquidos devem ser usados após cada episódio de evacuação ou vômito, de acordo com as indicações a seguir:
  • menores de 2 anos: 50ml;
  • maiores de 2 anos: 100 a 200ml;
  • adultos: a quantidade que aceitarem.
A alimentação habitual deve ser mantida e estimulada. Os pacientes ou seus responsáveis deverão ser orientados para o reconhecimento dos sinais de desidratação e no sentido de procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo, na eventual ocorrência dos sinais ou se a diarreia agravar, apresentar sangue nas fezes (disenteria) ou febre alta.
É importante ressaltar que os refrigerantes não devem ser utilizados, pois além de ineficazes como hidratantes, podem agravar a diarreia.